sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

desde muito antes de jesuino chegarem a estas paragens
estavámos todas nós descascando mandiocas. e desta historia
nada resta.
porque panela vazia nao se raspa.
tudo na vida, a gente acaba que descasca.
alem do fato de estarmos todas de cócoras fincadas na base de um minhocario artificial
nao vendo as minhocas
mas cantando cancoes que pelo menos aquela gente de nariz fino da cidade gosta
aplaude bravissimo e bota no youtube
a medida seria 300 graus celsius de puro extase mandiocal?
quando dura uma trepada, hein?
e ainda pediram pra gente ir bem floreada e fomos. de xita de alfazema
mas na hora de subir no palanque um dos jesuinos levantaram a sobrancelha assim assado prum lado pro outro e a gente la feito boneco ia e vinha na mao dele e ele rodopiava
mas nao era bom.
era pra gente entrar descalca porque soava bonito
e eu nunca vi pé nenhum soar, só vi eles bem endireitadinhos indo em direçao ao poço.
só senti salgadissimas gotas duma agua que brota ligeira
e
seca
como
se
numa
chapa
quente
mas a agua brota longe do minhocario e pelo fato de a gente ir muito a pé a sola endureceu que parece lixa.
nada de chinelas,
mas sim descascando as benditas mandiocas
que descascamos quase bipedes,
e nossa historia fina e rala é essa:
descascar as tantas inumeraveis membranas barrentas de uma coisa que arregaca as terras tao duras daqui
desde muito antes de jesuino chegarem nestas paragens.
mas agora hei de perguntar-me:
ate quando?

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