terça-feira, 17 de novembro de 2015

ALGUEM PODE RESUMIR FOUCAULT E JOGAR NA CAIXA D'AGUA MUNICIPAL?

justificativa
eu trabalho: com as crianças.
mas
na escola: medos, dores e insônia.

desenvolvimento
mas não, na escola desde a saída do útero urge uma coisa Mistério que pulsa insana;
não cabe no caderno.
hoje mesmo, (sabia que trabalho como professora? mesmo que soe piada, e é mesmo uma piada, eu sou sonhadora de deus e até cometi o delito de me tatuar inteira em função das minhas paixões, de modo que agora além de professora sou louca, o que configura certa vantagem em relação aos meus colegas de trabalho que no geral são uns boçais),
uma menina de 8 anos atacou a outra com uma tesoura afiada
disse assim: "ha ha ha ha!"
e abria e fechava a tesoura e corria atrás da outra
e esticava e apontava e lançava a tesoura afiadíssima
depois largou, porque criança assim em contexto de outras crianças - sei lá, isso deve chamar Milagre - juntas mesmo, pode até fazer uma merda colossal (como fazer cocô na pia do banheiro publico, rasgar provas ou incitar homicídios [o que tem sido mais comum nos últimos tempos; é crise consumindo-nos a todos]), mas matar não mata. não mata mesmo. morre de vontade de
matar.
por que? porque: a outra chateava a matadora.
e depois ela, a candidata a assassina, dizia assim pra mim: "não me arrependo, quero que todos desta escola morram, definhem (!!! onde ela aprendeu isso de definhar? não é incrível? e há duas horas atrás ela e toda a turma fizeram uma prova ridícula sobre poemas em que era preciso rimar os sufixos da palavra, de modo que fica evidente que não se aprende porra nenhuma na escola, muito menos poesia, mas ela de algum modo obscuro vinha aprendendo isso de "definhar"...)
e continuava: "quero que todos morram! MORRAM! MORRAM!"
e gritava muito.
e dizia que não se arrependia de nada. e eu, estática. olhei pra ela que, percebendo minha perplexidade, passou a olhar bem fundo nos meus olhos me incitando a perceber uma carência terrível que a acometia,
como se dissesse: "me salve". (serão as minhas tendências professorísticas? preciso passar com um bom psicanalista, penso ansiosa)
o que eu faço, meu deus?
eu faço?
(desfaço...desfaço!)
hoje também, pela décima quinta vez (eu contei e tenho provas) em dois dias, alguma criança me procura aos prantos reclamando de dores de cabeça. desde quando isso é normal, eu me pergunto, esquecer de tudo e dar
dipirona, amoxilina, tylenol, ritalina, rivotril, dorflex, aas, bandaids, gaze. tem enfermaria badaladíssima nas escolas.

referencias bibliograficas
entro na sala dos professores e todos de cara nos computadores. (só algumas que não, comentam os esmaltes enquanto esparrama suas gorduras enormes num sofá extremamente confortável e afundado) computador 1: "como ensinar fonemas", no youtube (enquanto isso o idiota do meu lado diz que o professor do video é um idiota. seremos todos idiotas?, me pergunto)
computador 2: "salvem a frança [é bom lembrar que uns crazy high bombardearam a porra toda na gringolândia, então estamos na semana do furor geral, até aqui onde ninguem sabe cantar a marselhesa; pelo menos não elegantemente]", no portal uol
computador 3: facebook, vídeo de cachorrinhos
computador 4: facebook, enquanto comenta "hahaha, conflito na frança? magina, vamos pra um lugar onde não haja isso [nas férias], aliás é hype demais ter uma amiga que se machucou enquanto passava por la na ocasiao de fazer intercambio na alemanha." OI²???
computador 5: planilhas
computador 6: planilhas
computador 7: planilhas.

considerações finais
é triste mas ainda vivemos
entre a cruz, a espada e o excel

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