terça-feira, 1 de setembro de 2015

peito fundo


há pouco mais de uma semana tenho "pensado" com os nervos do tórax sobre as passagens; decidi agora, finalmente, que as prateleiras da minha estante estão divididas em criações: estética (os livros de arte), mimético-botânica (as ervas do quintal e do empório arcoverde - moro em são paulo, portanto há mais delas vindas do empório do que do quintal. ainda, já que sou incendiária-íntima), e simbólica, que é a máquina de costurar.

não tenho máquina que escrever.

não sou letrada,
vago via ruas da cidade tomando tudo em goles corpulentos enquanto encontros ninguém que como eu não toque nenhum instrumento viva de brisa ainda que não seja possível nos dias de hoje ser literata em más literaturas bulas & novelas qualquer destino de ônibus pra mim as letrinhas viram mundo, banqueteio dourada, eu vou pro meio da roda com a cara e a coragem mas se tenho lenço, documento, carnes, sou gente, sou gente da espécie
mais primata
que nem os amores que amamos há tanto tempo quando a gente era jovem
e pensava as coisas por cima das mãos e não dos pés
e era bem melhor do que é hoje.

sonhei cabanas no meio da Noite Preta.

porém, anoto. por alguma razão que me ultrapassa, anoto.
atabancada à linha esquerda do cômodo de casa, a mesma casa em que vivo selva desde prateleiras imensas, - como se o outro lado fosse o jardim da estrada - suo de amor profundo

de novo, sinto-me "pensando" em tudo

quantos, muitos, tantos,
O Sebo do Cotidiano
(sob o confuso piano de deus)

.

e ainda posso me surpreender, atravessar a rua cantando assobios pra "você
fazendo riminhas soltas
como se a gente pudesse passear na primavera brasileira
beijos soltos junto-púrpura bocas
a minha, em que violento assaltas os pronomes que conheço
e passo aos olhares altíssimos e teço



mil beijos,



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