domingo, 17 de maio de 2015

O Modus transitorius das abelhas

foi numa noite em que fui no quintal catar melissa no canteiro, ouvi um pedaço da conversa entre duas abelhas:

"...eita, tenho quatro pés dessa planta aqui, mas aceito mais. tem coisa que não se recusa, dizia o moisés, e cada um com suas coisas, não é? lembra dele?
to com um plano cujo pressuposto já é a falência mas vou fazer mesmo assim só pela brincadeira que é: plantar essas mudinhas bem no meio de jardins públicos e sair correndo e depois voltar lá e ver o buraco num dia que poderia ser segunda feira e é inevitável a gente ficar de cara com um buraco seco num meio de jardim público.
a graça é: no fundo no fundo do fundo pensar e por isso existir a possibilidade de eu voltar lá depois de meses e a planta estar do tamanho da cabra do tamanho desse ano enorme e eu me surpreender de morte e sorrir. 
na verdade não. na verdade pode chover e o buraco se empapar de lama e haver esperança de eu me emocionar.

e outra coisa, você usou a palavra problema e eu não encontro nem insisto no contexto dela. não há outras coisas que são problemas, por deus não invoca isso que eu tenho zilhões de terminações nervosas nos pés que podem me levar pra qualquer caverna que eu absolutamente desconheço e hoje é domingo eu até comecei um poema que era assim:
é silêncio na cidade de domingo a noite
mas como isso faz uma hora ou mais e eu não me ative ao lápis ou coisa que o valha, tomei por astuto acreditar que eu lembraria depois a colagem mais ou menos pictorica que vislumbrei pra esse poema de modo que ele se tomasse convincente aos jovens de espírito porém nada popbre aos meus olhos ranqueadores de poemas e pequenices e é isso, toda essa teoria pra dizer que na verdade não me ative ao lápis porque acho sempre que quando a gente teoriza o poema ele morre de mal súbito.
mas não. 
nao peguei o lapis pra aprender que as vezes o poema morre de esquecimento.
então por gentileza não use a palavra problema. as coisas que a gente diz em momentos que transplantamos as flores de vaso são justamente
a cola
entre a raiz
e o novo lar."

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