quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

"eu odeio o modo como você fica deitado meio de lado meio de bruços querendo subliminarmente que eu te roce as partes íntimas e principalmente o cu; odeio o fato de você ficar deitado enquanto morre de vontade de dar o cu. por que não levanta todo esse diâmetro colecionado durante todos esses anos quebra em cacos e dá de uma vez o cu. é isso que me pergunto diariamente - pelo menos nos últimos dias, nos últimos malditos dias desde que você desmamou e achou "literário" chegar aqui ensopado com uma porra de vinho barato na mão; como te odeio! - enquanto: me levanto de manhã cedo, boto a camisa e os sapatos e saio pra rua afim de ouvir absolutamente tudo que não seja sua presença gordurosa pela casa. odeio os seus montes de cabelos que caem na minha pia, os seus chinelos com as marcas de dedos pela casa, os livros de grandes autores da psicanálise sempre somente começados transformados enfim em peso de papel na mesinha de cabeceira. odeio seus montes de papel que de tantos parecem brotar duma moita no quintal. à propósito das moitas, tenho vontade de te afogar quando você elogia a beleza tosca delas ou de qualquer outra porcaria similar.
odeio como você fala "trepar" ou "foder" evidenciando o triste fato de você, de fato, achar que sexo é manifesto.
odeio você dourando cebolas cortadas rusticamente enquanto forja um sorriso que diz que gastronomia é amor. gastronomia, hoje em dia, é o pior dos falos. odeio cozinha.
odeio seus dentes sujos de macarrão e cigarro e odeio como você dá palpite em cada detalhe das minhas extensões e assim meus jardins meus cajados minhas páginas meus santos literatos vão se transformando em feijõezinhos no teu prato."

fátima dahab

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