quinta-feira, 7 de agosto de 2014

"-nada a ser comentado.", ela chegou assim, na lata, como não fazia desde que tinha tomado o primeiro chifre, na adolescência, tenra adolescência, quando acreditava na finess e nas manicuras. e hoje, que só acredita na diplomacia, fez novamente, e igualzinho antigamente, o queixo levemente erguido de modo que o contraste com os olhos amordaçados pela vasta experiência fosse gritante. ela a-t-u-a-v-a. e acreditava em cada epigrafo, em cada posfacio, sabia o indice de cor e salteado...
fez como quem vai acender o cigarro e não acende, botou a sacola de lado; devagar. sentou-se. pensou que pra introduzir as ausências aos presentes era preciso tato. aliás, falava "tato"num tom de "om". pilantríssima. "-como vão vocês, hein? contem-me em detalhes". aos olhos dela, tudo corria como de praxe: césar mister rabujento, artur um dançarino de alma - quel tesão! - e camila permanecia entre o suicídio e a sintaxe. umas antas, no geral. se cansou das parábolas num tempo recorde, "tô ficando boa nisso", pensou, acendeu o cigarro finalmente e suspirou um parachoque. faz parte, docinhos, faz parte!
era a hora de arregaçar as cortinas; "as ausências, as ausências, as ausências que carrego", era esse o pensamento e dele pra boca, ah...ela não era exigente, dizia o que viesse e lhe parecia "funcional", vez ou outra até acreditava na poesia marginal, quem sabe se. afinal dava de ombros, era bom que fosse e continuasse sendo SE, SE!, não se metesse a bater a porta da casa dela. "por mim o mundo desbundava".
silêncio, olho no teto. todo mundo acreditava.
em seguida, por pura diversão, metia-se pelas selvas, pelos cacos que tinha deixado no chão: era artista inata, filha da puta, cria das vacas: "quem sabe...no fim das contas, choramingo...mas quem sabe? creio eu: há modos. disseram os grandes, os proféticos: estamos num momento chave!". olhinhos brilhando, que diversão, meu deus!, vim nesse mundo pra gandaiar, me diz!, não é?, pensava encantada, inebriada com aquele tanto magnesio, sódio, calcios, substratos!, aquela força fincada! e logo dizia, pra depositar essas literaturas pensadas no fundo da barriga: "não há adjetivo que cumpra.", e fazia cara de quem evitava dizer as coisas. essa cara, específica, era invenção dela própria, e era patenteada. ela, aliás, parecia dada às falências mas isso era capa; gostava mesmo das patentes altas...
transitava em capricórnios trópicos há anos luz. e dela, meu bem, ninguém nunca viu a cara.

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