quarta-feira, 9 de abril de 2014

periférica

são paulo,

meu eterno amor avesso à mim,
é com leveza insustentável (a mesma daquele...) que me despeço.
sinto como se deixar-te fosse o único movimento que me resta:
eis o fim da guerra!

amor tão vil...tão vil...
em vão sonhei te perseguir aos becos,
pelos berros:
você me negou.

são paulo, você, que parece tão inteira, descubro agora, passados vinte anos de tempestuoso amor, que você!, você!
foi desmamada cedo demais. e faz com teus filhos a mesma maldade!
lembro de te querer com sede, morta de sede...
lembro de ser expurgada dos teus encontros dourados por não ser tua filha legítima;
e agora, passado tanto, ergo o pescoço chorosa (quem diria!) e digo que vou-me embora além daqui.

me falta amor, um amor que nunca me deste e nem pretendeu.
foi aqui meu primeiro passo e frente a mim havia abismo
e lá embaixo, são paulo, ou melhor: lá pros lados...

onde cá ainda resido, me abro prum infinito único, meu sonho:
não estar em você.
me derramo porque mãe a gente não escolhe, o que quer dizer que mesmo com uma mãe tão tenebrosa, tão masculina, és mãe minha, cidade finda!

você e teus malditos pratos executivos, todos cheios de sangue de bicho, teus moribundos, teus não-lugares, tuas grotescas avenidas! argh, como: te odeio!,
prato cheio: amor ressentido, ressentidíssimo, me despeço!
me despeço da violência com que você me criou assim,
nesse seco determinismo...

mamãe, todo carnaval tem seu fim. até o seu: igual a mim.

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