sexta-feira, 14 de junho de 2013

recado de pendurar na porta da geladeira

"voce é a terceira pessoa amada que sente essa dor meio de parto meio de aborto. que vem aqui dizer "ai meu jesus, a gente tá em guerra, passei o dia numa afliçao doida", mas olha, zé, eu resolvi te dizer duma vez os três: muita calma em memória de nanã e muito peito, em respeito, no guerreiro. é tudo assim e o tempo não pára, o povo cai, levanta, cai, levanta mas conforme esse mal estar vai diminuindo a gente vai crescendo em centímetro! não sou panfleto político. também dói em mim. queria(mos) nós fosse tudo azu duma vez e a gente pudesse dormir, fazer poesia e até, né, tivesse tempo de sofrer um pouco pra alma encostar em nosso tão antigo deus. mas zé, a gente sabe que as coisas não tão nesse tom faz muito tempo e diziam os nossos tortos idolos que esse mundo é expiaçao, penitência, expiação, penitência. aconteceu também, junto desses fatos que o povo comenta, de a gente ser justamente dessa terra tão verde-amarela e ter mania de sorriso. se fosse a gente duma outra terra, mais gélida, ninguém tava chorando as pitanga assim então sejamos valentes duma vez, tá ok? hm...sem grosseria, zé, é que não sou telenovela pra te ofender as vista com mentira. é que esse tanto que te falo é um jeito, tem que ser grosseiro, um jeito aprumado e pé no chão da cova de dizer que o planeta está em crise desde mil quatrocentos e esqueci! zé. zé, veja bem, o melhor que você faz é tomar um banho, se houver, um chá de camomila, se houver, e ir pra cama quente, se houver. e se tudo houver, se amanhã você lavar a cara e apontar o pé pra esperniar, se atendidos forem os outros zés cheios de não houver... zé...
num outro amanhã tudo haverá."

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