quinta-feira, 21 de março de 2013

numa tarde fria de outono o telefone toca. te conto agora. sei que cúmulo da intimidade soletrar conversas telefônicas, mas me reservo o direito de inventar as coisas como bem entendo. caro leitor, caríssimo leitor, o diálogo a seguir não tem compromisso -quer dizer, a ênfase dessa descrição não é o compromisso- com efeitos catárticos. veja bem, se aqui divido...é porque devo.
quando toca o telefone e você não diz "alô" no mesmo tom que diria não fosse a existência da bina telefônica, como seria o mundo? hm, essa é uma boa pergunta. uma pergunta fundamental no devaneio sobre encontrar-se com o outro. afinal, não fosse saber quem está do outro lado do fio enrolado, diríamos um alô menos triunfal.  ou menos complacente, ou menos devastador...
somos todos ridículos.
 -alô?
-...
-alô-ô?
ouve-se do outro lado da linha o alô de volta tão, mas tão sussurrado que é quase como um gemido último.
-tudo bem?
-tudo e você?
-tudo...o que você fez hoje? não te liguei antes porque tive que ir ao mercado comprar umas coisas de café da tarde. recebi o recado da sua ligação, mas..
interrompido: -tudo bem - com um ponto final do tamanho de um trem.
-o que você fez hoje? - de novo.
-vi um filme muito legal.
-qual?
-chama milk...
 interrompido: -hm, acho que conheço! já ouvi dizer sim, é aquela história, puxa, me esqueci...aquela história...não foi você quem me contou sobre esse filme?! - por um eu do tamanho de um trem.
-eu ia, mas adoeci com o passar do tempo.

Um comentário:

<_/´\_/`\__>~ tss