terça-feira, 29 de janeiro de 2013

porque ainda nao tenho força pra gritar tão alto

carta aberta a joao wainer (sobre o texto publicado no facebook em 17 de janeiro de 2013):

se contrapor ao último texto publicado por joão wainer, fotógrafo conhecido por seu trabalho com pixação, não é questão ideológica. já esclareço de início não afim de me justificar, mas sim de atentar aos fatos - sim - já acontecidos.
falando assim, joão sem braço, até parece que pixaçao nao entrou em uma das maiores bienais do mundo, que racismo e homofobia nao viraram crime, que o codigo de transito brasileiro nao passou a considerar a bicicleta (coisa de jeca é reclamar-se alto!), que não houve condenaçao de poderosos pelo STF...e outros fatos que eu em minha incontrolável alienação não posso nem supor.
sei que ontem, meu querido, maior ainda que os fatos dados nos jornais, passei pelo centro da cidade e em meio ao monte de gente-lixo jogada por nós civilizados nas beiras de muro sem fim - eu que te falo: ouvi alguém gargalhar sozinho. se era doido não sei, se era certo não sei, que sei é que no momento em que aquela gargalhada chegou em mim e na mulher do lado, grávida dum bebê que quase despencava pela boca da mulher linda e enorme, de tão lindo e enorme devia ser o bebê...nessa hora nossos olhos se encontraram e foi que houve alegria de compartilhar aquele segredo. segredo mútuo. voilá! aconteceu amor no meio da cidade-mundo que tanto calunia, seu joão.
e foi também que na última semana minha amiga parou tudo o que fazia no trabalho, promoveu com grande entusiasmo o preparo do chá de camomila, pegou a xícara com as pequenas mãos e parou-se inteira de frente pro pôr-do-sol. escorreu chá e bibice as pencas, pra quem quisesse beber.
ainda nesta última semana meu grande amigo pôde receber um abraço de conforto de seu irmão. choraram juntos de amor que esvaia pelos poros.
antes, no mês passado, uma pessoa que amo muito foi pra terras cariocas visitar sua avó, que come biscoitos de polvilho com arroz e feijão.
e agora fico com formiga na bunda de não poder gritar no seu ouvido bem alto, joão, porque deus me fez assim, torpe, sem saber das belezas que virão: talvez exatamente pra não gritar no seu ouvido, bem alto, bem alto mesmo, como você merece ouvir!
seu tonto!


e agora, que respirei fundo, espero do fundo do meu coração que deus te toque também. e que, por gentileza, te faça as mãos entorpecidas quando te der vontade de vomitar na minha cara por conta dos nós da própria barriga.

ps: chá de boldo sara

Um comentário:

  1. Uma dose de dois litros de chá de boldo por favor! Pra agora mesmo, patrão!

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<_/´\_/`\__>~ tss