sexta-feira, 9 de novembro de 2012

eu ia começar aqui por causa de nada...e por causa disso, ia começar: "engraçado...". sempre que começo a dizer coisas conectadas com outras, começo com essa palavra seguida de reticencias: "engraçado...". depois que me atentaram ao fato ridículo (mas me atentaram sem o julgar tão mal, é claro, porque pessoas atentas são naturalmente e quase sempre cuidadosas), depois disso, eu nunca mais comecei uma frase assim sem engasgar. tem também que recentemente fiz um curso ministrado por um senhor letrado (também dono de uma cara idêntica a de um castor (ainda me devo uma aula sobre crase)) que disse muita coisa maldosa pra mim. assim, sem dizer na cara porque castores são bem mais baixos do que gente de verdade, mas dizendo alto, de forma que meus ouvidos ingressaram num desentendimento cronicamente incomodo. esse senhor, junto daqueles que me atentaram, formaram então um complô desonesto contra a minha pessoa. não posso mais usar adjetivos em excesso, arbitrariedade que sempre me favoreceu a alegria, muito menos posso eu agir na linguagem hiperbolicamente. imagina então, dados tais tópicos, se poderia eu, em minha humilde condição desempregada, desletrada, barbarizar um adjetivo lorenístico hiperbolado; trisítississíssimo.

e a vida corre assim, correndo de mim, de modo que eu não sei muito bem usar todas as palavras. e aquele senhor disse pra mim: "ninguém usa bem as palavras". e foi que eu acreditei; também no livro que me emprestaram acontecem coisas horríveis, Horacio disse lá que Maga só lê romances intermináveis e nada em mares metafísicos, o que o obriga, (obrigatoriamente, Horacio? eu entendo seu drama, mas entendo de longe porque você parece um pavão bêbado. de longe.), a ler grandes nomes da literatura mundial. "grandes nomes da literatura mundial" eu deduzi. e assim, novamente assim, também por conta das presenças gordurosas que me cercam, não tenho quem olhe pra mim em tom de dizer completamente alienado no que diz respeito a ideologias estéticas e artísticas: "olha, querida, você pode dizer o que quiser do modo que bem entender. não porque pode tudo, mas porque isso sim pode.". de novo, como numa espiral (semantizei metaforizando, observe o mal do "ser letrado"), percorro as vertigens acadêmicas e acabo sentada na sarjeta. que fazer com esse tanto de baboseiras, entende, caro, raro e ausente leitor? você me compreende? você me enxerga? e encontrar-se, você costuma encontrar-se com alguém? catarse. alguém, escritor de peças, me contaram, passou uma vida (essa de "passou uma vida" eu inventei) tentando criar uma peça que não tivesse efeito catártico (?) em ninguém. ele fazia o seguinte: escrevia as peças de modo com que os ingênuos espectadores se identificassem no começo (sabe quando a gente pensa de olhos arregalados que o mundo na nossa frente é só um espelho?), mas depois, assim de repente, ele desfazia tudo e jogava todo mundo pra lá. na sarjeta. somos todos sozinhos. então vou dizer o que eu vim dizer no início, coisa que não é engraçada, nem interessante, nem cósmica, nem porra nenhuma; é só uma coisa sem coisidade; filosofia quântica; virtuosidade minha? ou sua?...

fui visitar um endereço virtual muito antigo. era época de orkut e fotolog e eu tinha os dois porque eu era a garota mais bonita do colégio e precisava das mantenedoras; ah!, céus!, mente demoníaca!...ô mal julgamento, ô vida sem jeito!... encontrei meu fotolog ainda vivo, meio capenga, cheio de propagandas e extensores de pinto e coisas desse gênero absurdo. a última postagem contem uma foto minha e de uma amiga em um paredão na praia grande e o texto não tem descrição alguma, além de uma música cantada por clara nunes, composta não sei por quem em mil e bolinhas bolinhas.

contradizendo todos os princípios aos quais tenho me grudado no ultimo mês a fim de manter a sanidade e procurar ser mais racional, negando assim as minhas fortes tendências astrológicas, li emocionada:

Dei um aperto de saudade
No meu tamborim
Molhei o pano da cuíca
Com as minhas lágrimas
Dei meu tempo de espera
Para a marcação e cantei
A minha vida na avenida sem empolgação


Vai manter a tradição
Vai meu bloco tristeza e pé no chão
Vai manter a tradição
Vai meu bloco tristeza e pé no chão



...

2 comentários:

  1. As pessoas carregam na língua e nos ouvidos uma tesoura de poda arvorística, para podar pensamentos.
    Principalmente esses acadêmicos, onde o que mais prezam é pensar fora da caixa, e afinal tudo o que querem é que pensamentos como os deles sejam disseminados.
    As caixas só mudam de cor entre si.
    Mas terão sempre a sua função de.

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  2. gotas de um antigo e desejado futuro caldo saboroso
    te amo.

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<_/´\_/`\__>~ tss