sexta-feira, 31 de agosto de 2012

carta

não é mentira nenhuma: fui sempre macumbada
toda torda sim, mas sempre mais envergada pro bem
sempre de olho tonto, fui desde cedo a que toma patada
mas desde antes, a que toma patada sabendo
tomar; fui desde antes do mundo espirito fincado da terra de araribá
aliás, fui que nem essa planta que cresce rapido e meio calada,
altiva, espinhenta, arisca mas de absoluta qualidade.
sem delonga nem benevolência comigo:
já fui besta mas hoje nao me maldigo
tentei de tudo, sonhei o mundo, sofri de medo
mas hoje nao tem nada se me mantiver a voz e eu casar com mendigo!

tem nada não, sosseguei a periquita porque tem nada não viu...
tem nada não nas leituras meio mais ou menos,
nas musicas fora do tempo;
bom é cantar berrando debaixo do chuveiro
bom também é ter chuveiro. que que tem?
ainda hoje fiquei sabendo dum cabra que anda de saia
por culpa dele ou do filho, culpa é o que?,
se ainda cedo ensinam a gente que antes dessa bagunça era todo mundo pelado!
hahahaha

e pelada vou mostrando os peitos
que importante é saber mostrar os peitos
que o povo-fala-muito ri desgraçado
mas os eleitos de jeová acham graça no ato bem-afortunado!

"não é que eu vá desmerecer a overdose de ninguém.."
nem vou, ave maria!, nem a minha
que já borbulhei o bucho, já esfriei a barriga...
mas óia só que ela agora tá morninha!

e é bom tudo, viva tudo, viva o morno!,
viva o quente, viva o salgado, viva o mundo!,
viva essas poesias cuspidas que escrevo rindo-me da má ortografia,
do vocabulário mais raso que aquele riozinho que juntava na praia lá na caçandoca naquela minha infância lá longe de solzinho de...
mornas tardes!

ave meu deus, que delícia esse morninho...
que delícia esse morninho, que delícia!

e se disseram que o tal do rock n roll morreu, ah! se sim,
se essa cabra endemoniada vive muito não há quem aguente o tranco sem injetar porcaria no bucho! hehe

hehehehehehehehe
aiai...

que vontade de comer o sol daqui do ateliê.

dá pra comer?
sem ser eu sendo uma coisa que esculpi?

porque esses dias num cagaço tremendo, desses que fazem muito pelo bem no mundo,
e foi que fiz um santo do tamanho d'um palmo pra dar de presente pro meu pai antigamente moribundo:
e não é que o home adorou?!
adorou de sorrir de canto de boca, o riso mais sincero de meu pai.
papai diz assim: "nossa, mas isso é uma obra de arte!"
e ele, retirante dos confins de Palmital desde a barriga da vovó, sabe tudo de arte,
sabe melhor do que eu.
então se ele diz tá dito e feito.
e o santinho era guerreiro e tinha a boca toda cheia de tinta amarela porque eu disse assim:
"painho, tá vendo que ele comeu o sol?"
e meu pai do rio Paranapanema diz assim:
"quem nunca, né, fia?"

e além do solzinho que dá vontade de comer de boca bem aberta tem aqui perto um assovio
mas sei lá de onde, sempre fiquei encucada com esses acontecidos;
porque que arvore tem aqui?
deve ser coisa da minha cabeça.
que ontem eu disse prum amigo, depois de ele dizer "e esse cabelinho de miojo?":
"é assim do lado de fora e do lado de dentro também".
caraminhola!

caracóis também.
amarelinhos de mastigar com a banguela

cheguei! desse vermelho bruto e desse azul defunto na minha vida, meu jesus amado...
que solzinho amarelinho de comer...
ui que devaneio de sorriso esse solzinho!

então vai todo chororô bem pra lá do mar,
ficar chovendo onde não tem gente,
porque ói, deus meu:
essa gente daqui tá cansada de choramingar!

um beijo da sempre sua

Um comentário:

  1. seu texto
    denso, leve, fluido
    um grande representante seu no hoje.
    não há comentário que o qualifique
    linda é você e não suas palavras.

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<_/´\_/`\__>~ tss