segunda-feira, 9 de julho de 2012

que fazer nos dias?

nas noites explosivas em que corinthianos derrubam o mundo pela barriga,
e ouço nirvana a e seu poder depressivo e em seguida
é o tchan e seu pouco inocente poder persuasivo
e tudo me entra na cabeça platônica das partículas-de-deus
e eu soube logo cedo que haviam descoberto essas partículas já tão presentes
essas partículas do meu teto feroz e maldito, essas partículas tão antigas
e eu soube pela tarde que um homem matou cinco e matou-se em seguida
e que há uma música sobre esse tema fantasmagórico
que são os dias...

que dias de domingo e segunda-feira de cinzas
que dia eram os dias católicos que em seguida...?
que dias eram aqueles em que eu sabia?

e agora em aqui, parada num dia
numa hora que não sei não fosse isso e aquilo outro,
não fosse a música e seu tempo, não fosse a música seguida da outra
e essas caixas de som que me aniquilam

que será de mim?
se nessa vida não há outro motivo senão viver...

e os despertadores tocam e meu quadro aqui,
terminei,
que fazer?

que fazer dos dias?

que fazer dessa barriga que ronca,
desse bolso vazio que clama
que clama porque, coitado, obrigam
obrigam meus bolsos e deus obriga a minha barriga

e eu sozinha consigo desconhecer a alimentação de luz
e a meditação de cura
e o poder das partidas?

se eu sozinha consigo sentir um tanto que me treme as pernas e me deixa assim,
tão eu e tão inexistente, queimando-me em diálogos que nunca dão em nada
e me dizem que tenho ataques de lucidez sendo que tudo é nada
e o tempo não passa...

que mania é essa de quebrar as coisas tantas,
tantas coisas pra quebrar,
e quem me deu esses braços quase inúteis, serventes,
tão severamente obedientes?

quem é esse deus que aparece de sopetão nos almoços de família?
e esse deus que depois de eu voltar pra casa
volta pra casa dele
e assiste a essa televisão bizarra e fina?

cadê, meu deus, cadê essa elisa?
que me deixou resquicios de nada
e sombras da vida...

cadê meus amigos que somem e aparecem só dizendo asneiras,
aliviando-me de nada,
pedindo tudo,
carentes e sadios,
tão sadios meus amigos...

que coisa é essa que me faz escrever pelos dentes?

que coisa é essa que me treme,
que dias são esses!

que aflição é essa de ir embora, recolher-me no interior do mundo são paulo,
são paulo caluniosa e mal educada,
que me exije tanto
e eu nem sei escrever mexer ou fuçar, eu que nem sei escrever são paulo,
eu nem sei sentir esse monte de luzes e pedidos agoniados de sentí-la

que mundo é esse em que eu nasci,
em que tanto falam e nada permanece?
que mundo de asneiras!,
e meu quadro aqui

e eu eternamente bêbada.

que hora é essa que me leva pra dentro de mim?

que guitarra, meu deus, que deu em você pra inventar uma porcaria dessas?
que deu em você pra nascer a linguagem?
e se fossemos todos frios e mudos?
e cegos e surdos?
que tranqueira de sensações são essas que tenho que sentir como as arvores crescem
e como eu nasci.

e como eu fui nascer justo da barriga de minha alucinada mãe,
e que mãe maluca é essa que você, deus, foi me dar?
e você ainda está aí, me ouvindo as tempestades pestanejar?

falando nisso, que coisa é essa de nascermos todos justamente de uma buceta?
uma buceta inteira, chamada buceta em ocasiões sórdidas
b u c e t a, com todas as letras,
essa tranqueira da linguagem novamente,
onde acaba tudo isso,
intermitente,
onde há o inexistente?

e o indeterminado, quem me fez chegar nesse contexto?
que me fez ir aquela maldita aula daquele maldito homem, tão sóbrio,
me dizendo tudo,
me dizendo que estamos num buraco e todos sem prumo?

quem inventou o sinal de interrogação?
e o vinho?
e se eu venho perguntar do zíper tem uma coisa absurda chamada google que me explica

que mundo pouco cristão...
ave, ave maria!

por que não nasci na china e virei do avesso?

por que viro do avesso justo aqui, nesses dedos?

meus dedos nao obedecem,
é como se esse algo viesse.
só.
viesse.

e vem.., meu deus,
que dias são esses que eu invento?


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