segunda-feira, 11 de junho de 2012

Sobre o suicídio de Dorothy Hale, o quadro de Frida Kahlo e a inscrição em espanhol apagada por Clare Boothe Luce



hoje dei de encontrão com uma antiga colega de classe. eu já andava muito desgostosa andando por aquela rua gelada mas depois da amiga desgostei mais ainda. nesse meio tempo tive uma dócil esperança de eu ter mudado muito ou ela ter mudado pouco, mas o encontrão atrapalhado já era sinal de fracasso. se eu mudei não sei, sei que minha antiga colega de classe permanecia nas aulas de geografia. e concluídas as tais formalidades, passamos dois segundos as duas tentando pescar um assunto no mundo...e ela, sempre ágil, falou-me de uma marcha das vadias. não sei se isso existe materialmente, mas me apeteceu o nome e o intento, só azedou em mim a vaidade dela, que começou a discursar sobre direito civil e acabou o sermão com chave de ouro (penso que pra sangrar com fineza meus ouvidos e espírito de porco): "o machismo começou quando a mulher 'foi feita das costelas do homem'" (e nesse momento de aspas ela chacoalhava os braços sem rebolado). mas ora cristo, que falta de sensibilidade a dela! se foi assim mesmo, desse jeito que contam há muito, e adão veio do barro e a mulher agora deve ensaiar pros viadutos, pensem: há um erro no meio tempo. sempre no meio tempo; na distância é onde fica situada a natureza febril da mudança. adão é feito do tanto sumo das viciadas terras e a mulher, vinda da mágica, não precisou de nada além de uma costela.
e minha amiga, também vinda de alguma costela, cala suas lástimas nos pontos extremos da história petrificada.


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