domingo, 6 de maio de 2012

sem título, Stefano Truco
A menina lá ficava as vezes noites inteiras lá. olhando seus textos. algumas vezes, sem querer, passava a lê-los com uma agilidade estranha. nessas raridades, percebia lacunas tantas, e também percebia que aquilo que ela havia dito já não era nada senão palavras seguidas umas das outras, algumas fora de lugar, furando a fila indiana. uma fila de palavras e pontos tao desconexos; sua esperança sem fim chegava a fazê-la crer que aquilo tudo, tão enfileirado, futuramente viria a ser produto de determinada genialidade cujas propriedades os homens, ainda tão jovens, não haviam discutido. mas isso durava alguns dois segundos porque logo depois desses dois segundos tudo caía por terra e ela voltava a olhar o texto rindo da própria desgraça. só olhar a fila indiana de palavras quase sempre viciadas na sua "figura". só olhar. e sim, uma palavra ou outra conseguia acorrentar a sua atenção, até que ela, a menina lá, corria prum livro qualquer procurando cansada o sentido bruto da palavra. e nunca era aquilo...eram tudo figuras do bruto ou de nada; éramos todos uns bichos. e a menina, coitada, não tinha bando.
Enojada, recusou-se a encarar a fila novamente.

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