segunda-feira, 2 de abril de 2012

"a palavra é um crime"

que eu assumo e repito
flagelo, teimo e admito
sucumbo, teorizo, grito...
entorto, retomo, e finalmente silencio

construo, destruo, suspiro
mando, recebo, digiro
"a palavra é um crime" que eu cometo
e, com vigor, dirijo

(tem as vezes em que me empurro e empurro a palavra.
acontece.
é dourado e lindo)

a palavra é um mundo:
que eu digo
e que, quando não,
respiro

a palavra é a necessidade de sigilo
de tentativa infeliz
sobre a feliz e rara sensação de estar vivo

a palavra é uma catástrofe
linda.
eis a única tragédia mensurável:
acontece no espaço de um gesto
comentável...
barbarizo!

a palavra.
é a janela, o chão e a porta entreaberta
o caminho pro indeterminado,
a coberta.

a palavra não basta,
mas assim nada o faz...
então a palavra suspeitou e, perspicaz,
olhou mais alto
e mergulhou pra dentro:
a palavra é feito o vento

não cabe, não fica pequena, não se emancipa:
a palavra é a consistência da tentativa

a palavra é somente,
é aderente,
intagível: um suspiro

não se abafa, se existe verdadeira, com nada
eis a cálida palavra
que pulsa, puxa e embala

da música do estar, a escala

a palavra mancha
e limpa
derrama
e engravida
deságua:
é sobrevida.








e isso tudo seria muito doído não fosse a bondade da palavra:
ela não dá conta de explicar absolutamente nada

2 comentários:

<_/´\_/`\__>~ tss