segunda-feira, 23 de abril de 2012

no fundo somos todos uns (e) sozinhos

entrei hoje numa sala de bate-bapo dessas que as madrugadas nos provocam. me foi terrível. porque tudo calunia. não consigo escrever e fico nas gentes estúpidas e escondidas roçando a secura da minha língua. sou também estúpida e escondida.

e de meus dedos! meus dedos que sem querer exalam um quê bem torto de poesia e quando eu vejo já foi: perdi-me; sou nada de novo e me ponho numa tortuosa romaria.
sou romeira de minhas próprias chagas. que clichê. que clichê nojento!

vou falando bobagens com outros fantasmas de nomes azuis e laranjas, nomes sem cara e caras sem dente: vão falando bem humorados o que se sente.
nessas bobagens, conto viagens. digo certeira que moro numa casa cheia e mais entupida ainda de mim..mesma. caetano é bom, mas as vezes odeio caetano; gosto de óperas e falta de compasso. nas entrelinhas vive o instinto ("que tal darmos uns amassos?")...ah
ah...mas daí vem outro fantasma que caetano já é gagá.
e velhice é argumento? "e argumento é mentira, menina!" e que seja, que "caetano seja um pocket monstro", que ele viva! que seja doce a vida.
que seja doce. que dê pra eu levar sua doçura nos bolsos que nem tenho.






 que sono sem rumo, deus meu..."mais uma histerica de deus pra nossa coleçao de dinossauros!". assusto-me. continuam "aqui é um deserto. eis um deserto e seus fantasmas" 

que faz a noite com o homem de são paulo!...




 e vejo-me opulenta, trupicando numas palavras que me são dadas pelo divino: "nao dá pra consentir nada, parece-me. sao tudo reaçoes a coisas que por nao terem motivos nao pressentimos", e um homem desmamado questiona-me "quer dizer que só pressentimos o que tem motivos?"

vai saber. sei que vim parar aqui tropeçando no meu próprio nariz bisbilhoteiro; cheia de tédio e falta de dinheiro, vim ver se alguém reclama-se alto comigo, em segredo. e nada! bando de infecções da filosofia-estômago. bando de pensantes sem eira nem rumo de beira! bando! bando de loucos que conhecem a vida dos livros. e eu angustiada admitindo, admitindo, admitindo...trupico:

conheço nada. não conheço a vida. sei de algumas melodias, alguns paraísos, algumas meninas...mas nada sei. nem tento por ter preguiça. daí o homem que restou no jogo de bater papo (e este jogo, atentem, é um jogo de origem russa e balística), diz-me: "esse papo de não conhecer a vida virou moda."

nonde existe a moda? o que é a moda?
no tempo sem resposta visitei outra sala-romaria no chat abusivo sobre minha beatitude e tinha uma menina. choramingona que só deus...roía a boca. roía, roía, roía e dançava balé; :
 que linda voce! parabens. um beijo ta? na boca roída. beijo pra adoçar o futuro intacto da boca: linda e fechada.

meu deus, meu deus, meu deus! e eu acreditando em deus enquanto isso. pensando que mesmo sem motivo (contrariando as minhas proprias palavras cuspidas) hei de presentir a cura de todo o vício. que nada! deus não está aqui nem nada.
vejo-me assim descrente, de novo, ausente, pra sempre, um paradoxo em forma de gente. vejo-me ignorante, indecente. esturricada.


nesse meio tempo de descrença, renovo-me e retomo o folego. o homem responde nada sabiamente: "é sempre a saída pós moderna da deserção ao invés do gesto corajoso de assumir o que já aprendeu". que homem herói...aprendi o humor dele finalmente. ele falava de humor, eu já disse? pois bem, ele falava. caçoando-me nao prepotente, mas com sarcasmo de afiados dentes. sugou-me a gentileza mas tudo bem, isto passou e agora eu, que antes não acreditava no humor desse homem, tomei sua máscara sarcástica num pulo tão delicado que ele não viu. (eu pretendia o jogo de palavras desde o ínício, é meu carma, é a única coisa pra qual eu sirvo):





só o fato de ele manobrar tais rótulos já me coloca numa condição muito solitária novamente.





eis a solidão.
e suas angústias madrugais mui reacionárias. que reagem somente. desesperam-se. desesperada solidão; de ter alguém que compreenda que tudo é vão...ê caetano imbecil, "ou não..."

vou virar profeta da deserção! 

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