sexta-feira, 13 de abril de 2012

A Ida III

Pedro Pezte
QUATRO TITULOS QUE SE SUSTENTAM:

silêncio
ou
quem com ferro fere com ferro será ferido
ou
enterro
ou
"é tempo de reparar"

(nada dos quatro é profético, só os quatro são uma mesa onde banquetear)


o sustento do término:




houve um encontro de olhos nessa minha vida. um dos alguns que pude ter. de olhos nos olhos e diretamente nas feridas. e foi um encontro de um dia de secura, mas por já haver em mim uma nascente desde nascida, teoria nenhuma me verga...foi que tive uma febre dessas que não doem e não são mensuráveis; a febre passou, eu fiquei em silêncio olhando dos automóveis o movimento, tomei meu licor e fui-me embora contente por ter havido encontro nessa vida...outro pro meu baú. outro encontro pro meu baú jamais vacilante. passamos pela existência. tempestade amena, andei pela cidade assobiando a melodia:


"não ando no breu
nem ando na treva
é por onde eu vou
que o santo me leva
é por onde eu vou
que o santo me leva

...

medo não me alcança
no deserto me acho
faço cobra morder o rabo
escorpião virar pirilampo
meus pés recebem balsamos
um guento suave das mãos de maria

..."


narciso foi desaparecendo pra mim como quem somente ia. num negrume; perdoado, lembrei-me de cristo apedrejado. e narciso indo em volta da própria barriga...e jesus cristo crucificado à pregos. e narciso bebendo cachaça...e jesus cristo na minha barriga...e narciso numa vermelhidão-agonia. e jesus cristo flutuando em volta da mesa. e narciso falando em putaria...e jesus cristo esquecido e narciso pretendendo. e jesus cristo profanando melodias, e narciso religioso na própria supremacia...

quando percebi o bololô dessa idéia, logo em seguida, os dois começaram a flutuar, jesus no céu e narciso caído no chão ao léu. jesus chorando e narciso achando lindo...

narciso ainda pinta. e jesus é o único homem cristão que existiu.



e as marcas não me foram vãs: a virgenzinha aqui na minha coxa recitou pra sempre uma mesma e indecifrável poesia


repito:


a poesia é a minha vida
e minha vida poesia
apóia-se em nada além
de querer a origem


o restos é margem da vida




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por achar vãs todas as sabedorias, pintei narciso
e não mostro pra ninguém além de meu marido.
terminei uma volta!
e narciso, na minha cabeça:
em cadeira de rodas

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