segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Hail Jah,


Foto original de Henrique Monteiro

 Tudo que peço de coraçao vem munido de choramingança e sempre - sempre - numa dessas minhas andanças...Minhas orações são iluminações instantâneas e melancólicas feito repentes sertanejos, sempre tão esqueléticos e abandonados; sou mais uma esquecida no meio da vida. Tenho que pedir ao Altíssimo que me dê a mão neste momento tão difícil...A poesia que me perdoe mas há dias em que Deus é maior em mim do que o mundo. A natureza me pode tudo. Amo a poesia, e ela é minha vida física, mas Santíssimo, que fazer frente às suas provas d'alma? Não vivo à custa de falsos profetas, como Tu bem sabes, sou de cortar o mal pela raíz!, mas na mesma medida vivo à custa de vãos esquecimentos, sempre orgulhosa a espera de suas doces ofertas. Eis o momento de pedir-Te clemência publicamente, assumir-me uma doente e pior!, uma doente insistente. Cura-me de todo mal destas falsas correntes, meu Deus...Cura-me de toda dor desse mundo descrente! Quero elevar-me a ponto de não sentir mais a minha nuca e as tensões dos verdes fumegantes que tanto me cegam; quero ver-me de fora como vejo os animais: perfeitas criaturas. Apego-me aqui à grandes invenções descabidas, à homens pequenos que estão sempre de partida, à mulheres frágeis que fazem de conta serem destemidas...Olha, meu Deus, nunca te imploro nada de joelhos tão teimosos, mas me leva embora pro setestrelo junto dos sensíveis! Quero com eles aprender...E sei a vulnerabilidade minha que é figurada n'um pedido desses, mas aqui não ando tendo jeito, não me conforto nem sento praça. Como viver numa terra massacrada pela própria terra? Os dilemas e paradoxos que Vossa Majestade me deixou são tão sutis e nevoentos...Penso que talvez seja por isso que em minha fala haja tantos anexos e na minha alma tanta angústia: devo viver aqui, sou um pobre diabo à procura de achar-me como todos os meus convivas, mas Oh Santíssimo, que me trazes aqui, pelo amor de Cristo? Já tanto Te pedi por clemência, se sobrar-te paciência, tira-me daqui...Leva-me pro Teu paraíso de lindas cores e vibrações de amor, tolerância e honesta subserviência. Ensina-me a viver....Neste mundo os homens sujam uns aos outros com desonra! Fazem de conta que não vêem o irmão do outro lado do Pacífico agonizando em fome e humilhação e nada fazem, calam-se sóbrios e num bom tom que Oh...Meus nervos afloram. Acabo por também não fazer nada. Silencio. O Senhor bem sabe do meu silêncio e me conhece como não ouso dizer, Sei eu e Sabes você: meu amor por Ti é extraordinário! Mas tenho pressa...Hora dessas minha paciência cessa e eu me desabotôo toda, me ponho a gritar...Meu Deus, tende piedade de sua filha. Leva-me embora desse caminho! Não quero nunca julgar mal teus consentimentos, mas pôr-me aqui nesse imenso campo sem vento...Pra quê? Por quê? Será meu destino torrar no Sol? Será minha missão tão inatingível? Será meu intento tão maldito? As pessoas aqui me julgam mal...Sou tratada como um cordeiro que não sou ou ainda como o diabo que eles próprios queriam ser. No fundo Tu sabes das minhas saliências mas mais ainda conheces como ninguém a minha inocência: sou livre e vivo sem maiores intenções! Perdoe-me ainda o palavreado, nunca sutil. A proposito, quero calar-me para sempre. Permite essa dança pelo menos num sonho, meu Deus. Permite pelo Seu amor. Não posso deixar de cantar nem contar contos pr'esses meninos vaidosos...Salva, meu Deus, a vaidade deles e salva também a minha! Mas dê-me força nesse enquanto demorado e um dia dê-me uma cria a quem amar. Permite-me por favor nunca judiar de ninguém. Nunca! Está aqui tudo tão nebuloso, até os cataventos entristecem sem a Tua divina presença!

Quero ser filha...Mulher, menina. Quero de volta as paciências divinas! Meu Deus, deixa-me ser amor...Deixa-me ser vida!

Deixa-me, mãe, existir de volta na tua barriga!
Deixa-me, pai, existir de novo na cura das suas feridas!,
Deixa-me, irmão, existir de novo no afago que precisas....
Deixa-me, irmã, existir de volta em suas mesmas medidas!,
Deixa-me, mundo, deixa-me preencher-te os vazios!,
que suas cálidas Marias perdidas
encontrem na minha mão caridosa um re(e)spiro de vida...
Jahová, Que para isso a minha mão seja do tamanho que eles todos necessitam:
Certeiras, enormes e lindas!
(Deixa-me, alma, ter um novo sonho com Elisa...)
Deixa-me eternamente livre cometendo gentil as minhas profecias!,
Deixa-me a palavra entrar pelo ouvido e encontrar aqui dentro Sua morada
E, aconchegadas, saírem de mim como quem sai de um Vermelho
referindo-se à beleza, chegando aos ouvidos detentos sempre suspiradas!
Deixa-me ouvi-los exaltar-Te com fervor
e livra-me nestes momentos de todo infeliz julgamento:
permita-me acreditar em Ti e no seu infinito e próspero amor!

Permite, meu Deus, que apesar das lamúrias todas, eu viva esta vida com tudo que couber em mim de gratidão e bem querer. E que eu tenha muito destes a fim de não caber-me sozinha: que eu tenha a cada dia oportunidade e força de vontade de espalhar Você e sua infinita Majestade sobre ombros cansados de meus pais e irmãos, de meus filhos e amigos.

Que a minha fé volte dessa reviravolta ainda mais febril e respeitosa, ainda maior, mais produtiva e - por favor! - mais silenciosa!

asé

Nenhum comentário:

Postar um comentário

<_/´\_/`\__>~ tss