sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

almas sem evangelho en costas das - (na) vida(s)

"O Encontro" de Juarez Machado

COLÓQUIO DA AUSÊNCIA:
A IDA SEM VOLTA
ou
SUMIÇO (e seus chumaços)
ou 
"SAGA" E ORAÇÃO
ou timidamente:
"mi otra mitad de naranja"


I. segredo meu
ouvindo uma linda música resolvi encarar meu demônio:
a caixa de lembranças que fica, intocável, no armário
chorei, ah, chorei…
chorei louvando o santo, temendo um novo encanto
tendo falta do que foi, querendo com febre o encontro
despregando-me das frequentes partidas
sozinha aqui, querendo aquela vida..
(percebi que mesmo arrancando os pregos ficam as feridas.)
não agüentando mais esperar, pisada, pisada, doída
por ver-me chorando sangue
mas tendo clareza dos motivos:
meu próprio fogo é que queimou-lhe a vinda
o sangue que choro não é meu.
nem nunca foi...
tremi o véu antigamente
não lavei a roupa suja
deixei estar por pura hipocrisia
e nossa sede…deixei pros cantos
vivi eternamente meu próprio umbigo aquele tempo
mas não há jeito de perdoar-me:
foi o amor, foi pra longe, deixou-me aqui exposta
jogada nas ruas dessa cidade sem vida…
lamentando-me silenciosamente
gritando ainda aquele "doida, doída"
doida, doída
doída

    doída…
(ecoa)

 

II. segredo seu
abri os presentes misteriosamente na seqüência:
(voce escrevia "descobrir" com "u", assim "descubria" hahahah, menino de tudo!)

1. "É claro que abrir as janelas é completamente opcional e não muda o
peso do filme"

"BE BOTH CATS + JANELA ABERTA

Tremo e choro diante da beleza de Bob Dylan, dos corpos, das pintas, dos gatos, do je t'aime
Chorar diante da beleza é uma coisa tão nossa e honesta, não acha?"



!

nao vou mais fazer isso
lembrei do "desisto"
o seu tão prematuro
e o meu tão inseguro,
desistimos, silentes...
e seus três envelopes aqui, mí(s)ticos
e as pinceladas sutis dos números,
com seus conteúdos antigos

como eu podia não te responder os gritos?
se hoje sofro tão profundamente com o silêncio de você já homem feito
que se vai numa mesma agilidade com que evapora a minha chama
quero saber de uma vez, o que é e o que não é meu por direito?
meça o tamanho da minha cabeça antes de declarar afobado o preço…!

-
as sombras
a medusa
a cabeça do alfinete
a ponta do iceberg
o meu antigo silêncio
os telefonemas
o não ter jeito
o sexo
os fins de tarde
os videos imaginários
os filmes
os casos…
o ciúme
o descaso
estar ali durante séculos fazendo amor
"é como se a vida estivesse ali no fim do corredor"
a viagem
o segredo
as putices
o desespero
dos desenhos
a solidão
o apego
a volta,
e agora seu desapego meu desalento.
as músicas
as festas
o álcool
a violenta comida
-
as maldições da vida no mundo
(a bebida, a piscina, o café, o cigarro
lembra quando voce era só "gelatina"?)
agora por cima da madeira esculpi-te em resina...
enquanto o esquecimento da divindade de antigamente
faz que faz enfim ela morre caída, sem carinho, sem prato, sem comida
atiro uma tentativa,
ouço um único "eu te amo" sem vigor
era só por causa do gozo, ainda tão atencioso...
estamos os dois usados
enchemo-nos de sebo da vida
sem dar-nos conta das navalhadas na carne parida
nem ao menos chorar os prantos das chagas…
adiantariam agora suspirantes algumas lambidas?
tenho queimaduras e cortes pelas pernas que fazem de conta
andar por aí, à esmo, sempre afim ironicamente de descansar
estrago-me e silencio triste ante a fragilidade dos trouxas
trabalho dobrado, cumpro as contas e não sei bem me expressar...
lembro do tempo em que eu persistia a fala sem cambalear a palavra
gritava versos fracos na gramática mas tão potentes nos nós,
amarrava-me em você e vice versa, e você tão pequeno num sem saber eterno
fazia que não via, o que eu quero agora você queria
tudo sem tempo, eu te sentindo perto e você reclamava que eu não fazia
quero que o padre abençoe logo "sim, vós"
e quero eu cantar baixinho na janela da sua escrivaninha
"brindo ao teu amor, um amor tão claro"
os textos mentais ainda me perseguem
e quando clamam para que eu indique a saída
disponho meus dedos de frente pra uma esquina
digo convincente:
"vocês tem duas saídas"
como sou insistente!,
fico te chamando acreditando que não tem quem não caia num lamento bonito
(no fundo sei que ninguém cai, lamento-me novamente as dores do dia caindo
porque a noite é maldita e me tortura o sossego)
respiro, suspiro, afago, o carinho, peço pros outros, continuo pedindo…
sei de uma coisa bonita!, lembrei-me intuitivamente a fim de adiar o adeus:
quando voce era criança e perguntava sobre a lua vazia
e eu pernoitava ouvindo as assombrações da vida bandida
(sempre essa mania de morar em periferia)
desde um ano atrás venho matutando nos vazios da lua
(ainda na mesma casa, na mesma rua)
e entendendo a cada dia sua despedida prematura
não espero mais a cura do mal.
nem enlouqueço na sala de estar dos outros: hoje acredito em essência, sabia?
não espero mais nada, tenho planos rasos, leio romances fracos
e mui desobediente, quase sempre dou bananas à filosofia
hoje por exemplo meu maior desejo é empregar-me em uma floricultura
ou como garçonete…quem quer saber? nisso passam-se dois minutos e já não vou fundo
digo meu enfim,
peço paciência pro mundo!,
enquanto ele fica esperando gritos desesperados de mim.
é todo mundo aqui tão esperançoso na frente dos loucos….
sou-me assim.
e te espero sem esperar nada em troca
com doçura, com cândidos olhos
como no salmo da bíblia, Matheus versículo qual?
"se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz",
meus olhos eu ainda protejo das facas com as quais me esfolo
e das bitucas de cigarro com as quais me imploro:
calma, menina..
permaneça os olhos,
e veja a lua, que vazia a lua também pode ser linda.





balela..patifaria. safadeza.


o PS:
a pena  é que sei que você não percebia quem provocava em mim os delitos
e eu agora não sei outro jeito de viver senão sublimando do amor os precipícios
voce, o unico que nessa vida amei,
foge de mim como quem foge de um vício
agora qualquer homem demônio ou santo pode me pedir em casamento que eu faço questão de fazê-lo trapo e lixo
até admito arbitraria e impulsivamente meu possível sentimento de inicio...
mas pouco tempo depois lindamente me toma o descaso
e independente da resposta dele ando com adagas todo tempo:
corto o fígado do sujeito e como sem tempero
até ele morrer seco de sofreguidão
por mim ou por qualquer outra bobagem da vida,
pode ser menino, pode ser bonito, pode ser homenzarrão,
não deixo-me doente na frente de ninguém que não possa carinhar-me quando ao meio partida.

o PS-pronto-socorro:
ando atenta e cuidadosa com as minhas impacientes emoções
e mesmo com as desobediências e suas devastadoras conseqüências
tomo as rédeas da paixão e aquieto a alma no silêncio
o problema é meu corpo fisico que anda vagaroso e padecendo
com doença demais, alimento de menos, drogas todo tempo
corto-me e rio
queimo-me sem sofrer
e depois com as feridas acho que vem as poesias
mas não.
no fundo preciso sair desse atraso
dessa mera diversão
dessa minha culpa por descaso…



 en FIM,
um amém abafado.

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