quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A Ida I

Pedro Pezte
A IDA I -
egocentrismos-espelho: sai poesia, sai desespero
ou somente
Narciso ia




afinal,

apaixonou-se narciso pela própria loucura


quando viu,
morreu!
procurando no caminho a própria candura

perdido o doce
e perdido o homem,
narciso ia...
quão longíquo fosse

dizia um apelido tenro,
uma onomatopéia pra "na nny"
o narciso querendo babá(r)...(devaneeei, devo parar?)

dizia um apelido tenro
mas tenro é amor de própria vida:
narciso esquecia,
como quem muito se droga,
à quais consistências imbecis seu corpo sucumbia:

mais lindo na vida, narciso, é de partir a agonia
não se trilha caminho o artista
apenas se enxerga
e vai, indo, enxergando, às cegas.

o narciso.
sua diplomacia o perseguia,
temendo perder para a pinga sozinha da cerveja a companhia,
disse tremendo para a menina:
"contar história eu não sabia"

narciso é lindo
mas burro! como qualquer outro intruso:
quero comê-lo
como se come um jeito

não o gesto de pintar
nem o desorientado roxo no papel-de-andar
mas o jeito de, do lado das próprias violências, po(u)sar.

(menino podre de bonito
que entorpece as vistas;
por isso todo mundo acha tudo lindo...)

nos registros só por ele vistos de perto,
nas fotografias amarelas de tanto as vadias olharem,
nos comentários decadentes de analfabetos,

narciso transpira!
e me lembra:
não é o espelho que conduz
mas quem olha pra ele e reluz

condução:
eu digo de cantoria:
"ah é?
então vem aqui."
ou ele de mentira, cheio de finura:
"não, calma,
não me interrompe, menina!"



tudo bem, o assunto era pra ser outro...
vou te respeitar,
"prometo".


(prometer...eu sei?)

eu por ser de marte posso sublimar minha vontade,
tomar um gole de cachaça, acender meu cigarro
e feito macho te questionar:
"o que é essa merda que estás a pintar?"

é uma coisa-terapia
sem coisidade
nem nostalgia
vou pintando como quem quer raiar o dia,
diz o narciso-sem-se-saber poesia

óh que dor, que dor me dá a vida!
narciso idiota, devia safar-se da lama
e despedir-se de nós numa só ida
sem volta, falar-me a sós: "vou-me indo eternizar a cara
que a carcaça eu deixo pros bichos a lambida"

e, meu deus, que cara linda!


narciso deixou-me louca antes da partida.





mais fotos como (o artista) a de cima:
http://www.flickr.com/photos/weeweedeedee/

post delitum: essas porcarias estão sempre sujeitas à alterações descabidas
conclusões precipitadas
arbitrariamente calculadas;
nada aqui é teoria.
tudo é cospido com a calmaria de um detento
(da vida, narcisos de vento)

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