sábado, 10 de dezembro de 2011

cocaine mountain dá melancholia nem tão criativa. ou talvez dê tristeza inexpressiva. "angústia" dá palavra infinda..e amor dá saudade e saudade, vontade de antecipar a nova vida

08-dez-2011
e o dia amanhecendo de dentro desse cinza chumbo
ao inves de colorir, amanhece um limbo escuro
que me pesa as costas e os olhos
não consigo trabalhar
e pra piorar tô lendo "angústia"
e graciliano ramos em seu pior dia claro
o homem vacilante, bom escritor, acaba comigo.
só faço escrever palavrões
porque esses cúmulos me fazem enxergar os culhoes
aprendi a tomar uísque
a fumar cigarros
i can do it like a dude
canto alto
me embriago...
vida de merda
preciso encontrar um jeito
essa música, esse folk
me lembra da vida que não tive
e pelo andar da carroagem
antecipo tudo. foda-se
me dá preguiça vez em quando viver
esse povo falando em luz esquece a sacanagem
e as delícias que estão em beber
inferno humano
feito de mundo
inferno de mundo feito de pequenice
porque a gente na nasceu grande?
por que?
era mais facil
cada um nascia um diferente gigante
e se estrepava uma vez na vida:
sendo gigante nao da tempo de se estrepar todo dia
a gente cai derruba tudo, mata todo mundo e se quebra inteiro
eis a grande merda em ser pequeno
cai semanalmente sem nem ao menos derrubar um pente
continua todo mundo vivendo luxuriosamente
enquanto eu aqui, estuprada por essa merda de progresso
sento a bunda na calçada, pobre, fodida, acabando a pinga
tendo de pensar uma saída:
"o que eu faço?"
sendo que no fundo, f.p., minha grande raiva também é feita de cansaço.



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09-dez-2011
toda vez que alguém em algum canto diz
que sexo é pecado
nasce em berço de ouro um novo reacionário
(e noutro de palha morre desnutrido um pobre canalha)



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10-dez-2011
tem dias que não dá
a gente pede jack daniels
acende um cigarro
num bar, a pé, solitário
e pensa que esse dia, definitivamente,
merece ser inteiro vomitado

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11-dez-2011
e se todo mundo morresse e o mundo ficasse de repente em silêncio?
tenho uma vontade atemporal
quero me engolir e me virar do avesso como que doendo

não adianta me embrenhar num matagal
e ficar prenha de mais outro amor etéreo, atônito
tenho que doer-me as vísceras mesmo
pra ver se entendo nessa vida pra que precisa doer pra ser direito

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26-nov-2011 o sussurro final que veio como um eco / repeteco palavreal de tecidos infindos / o temp(l)o da palavra como sendo temp(l)o de mim mesma, louca ferida, amável amiga, incompreendida lasciva, inexplorável abissal, o existencial. ou entao, somente

(o que é ser) atemporal:
perder uma amiga que perde a vida é como perder-se a si mesmo dentro da própria vida, aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah

num emaranhado de caminhos que mesmo cruzados não são amigos, mesmo paralelos não andam no mesmo ritmo
caminhos, caminhos...
e a vida seguindo quietinha, quietinha
de repente te invade um rio
rigoroso e violento
te abre e te sufoca por dentro

e você nem entende nada.

não tem o que dizer

nem pra quem dizer

que emaranhado de caminhos é esse que tonteia?

[sussurro: "existirmos, a que será que se destina?"]

a elisa...
tão linda e tão novinha
transes como essas não nos deixam longe mas nos encarceram no lugar comum
elisa, tão menina...

de tanto pensar hoje
uma hora dessas da tarde
o sol se aconchegou bem no meu peito.
e tantos peitos por aí pra ele se aconchegar
ele veio justo no meu!
desde ontem os céus são mais amigos...
elisa cada dia que passa, mais incrível
e os dias mesmo frios, clarinhos..
o fim da tarde ficou roxo
roxo brilhante, estonteante
pra me lembrar do temp(l)o de elisa




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