segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Poema parido


eu já roubei um vestido
e uma torrada de plástico quando criança
eu já senti inveja fétida e podre
eu já tive ódio o suficiente pra sentir dor de estômago
eu já traí, bem mais de uma vez, amigos, família e amores
eu já inventei em incontáveis ocasiões, tanto por me confundir como, principalmente, para me safar ou me exaltar
eu já fui cruel, a ponto de me desalinhar e fazer do outro uma tábua velha onde se "pode" pisar
eu já agi de má fé, de modo a me (re)apropriar
eu já senti preguiça, preguiça, preguiça...
já falei tantos palavrões...
sim, eu já matei formigas!
eu já separei o maior pedaço de bolo pra mim
eu já escondi alguma coisa pra não emprestar
eu já me gabei
eu já esnobei
eu já machuquei alguém
eu já me envaideci e demorei para sair
eu já coloquei o dedo na ferida
e já calei quando não devia
eu já berrei sem motivo
e me vitimizei no espaço de um grito
eu já escrevi e pintei uma infinidade de lixos
eu já quebrei contratos, delatei relatos e desfiz pactos
eu já fofoquei e já contei segredos de outrem
eu já desrespeitei tanta gente...
e já me fiz de morta, fazendo como quem não sente

eu já fui safada
já fui porca,
já fui uma porta!,
eu já fui torta...


(agora tá na hora de fazer um teco diferente,
canonizar-me no sossego de um instante
sorrir monaliseando a brisa que vem do nilo distante
e assim tostar as graves greves no espartilho,
como quem docilmente degola a própria mente:)



HOJE SOU SANTA.













(eu contei que já menti?
e que ainda minto?
no mais, eu admito:
tudo que faço é pra tentar novamente sorrir como uma criança
)

(revisto em abril de 2012)

3 comentários:

  1. esse texto acabou tao ruim quanto o proprio começo, e bia, só voce mesmo tao bonita assim pra me presentear com essas apariçoes - ainda bem - inesperadas

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<_/´\_/`\__>~ tss