quarta-feira, 12 de outubro de 2011

(carta endereçada a Deus encontrada entre antiguidades do meu quarto-baú, sem data)

"Madona", Munch


Nesse exato momento eu percebi o negrume envolto nesses corpos; era aterrorizante o modo como riam e sentavam ao lado uns dos outros, como discutiam o cotidiano, a rotina porca de se transportar para os outros mundos que, devido a escassez de luz, quase não existiam. O jeito de andar, essa ginga tão falha e absolutamente sem objetivos...Será que eles podiam sonhar? Será que em algum momento do dia observavam o próprio reflexo em qualquer caco que fosse e perguntavam-se porque aqueles trapos tinham tanta valia? Será que paravam de sofrer gratuitamente pra sentir gratidão? ...Será que eles sabiam amar? Já me afirmaram (com arzinho de certeza e falta de argumento) que "ama-se e só". Não é só isso não! Meu santo Jorge, meu santíssimo pai, tende piedade de todos nós que vivemos em situação de selva e brigamos desenfreadamente! Tende piedade de todos nós, que por todas essas vãs vaidades não aprendemos uns com os outros e, rindo desesperada e cegamente, deixamo-nos rir engolidos pelo buraco negro da impiedosa ignorância! Ô painho, tende piedade desse mundo que vai dormir de estômago vazio...Meu Deus, dê-me forças pra ser a mudaná que eu quero ver...E por último (como disse vinícius, "se sobrar-te compaixão,"), painho, tende piedade de mim! Nós que às vezes esquecemo-nos como se samba! Não me educo pra aceitar perto de mim os que se esqueceram como se samba! Piedade, meu Deus, piedade dos que aprenderam a amar...

(Meu Deus, se o Senhor habita algum cantinho dos meus devaneios me dá uma mãozinha por favor? Nem que seja um assopro, mas me dá um sinal de vida pra minha alma aquietar? Um beijo, Ana Luisa)

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