domingo, 3 de julho de 2011

pensei em escrever sobre a insanidade da solidão e não consegui
na minha velha camisa de dormir além de segredos residem os cheiros
os fortes cheiros da noite de ontem e da pílula que tomo sempre
contra qualquer eternidade
isso me enlouquece e vejo que de hora em hora seu esquecimento se apetece
com o gosto do meu sangue
e da minha boca então...
se eu discuto a arte contemporanea e voce nao entende bulhas
ou, ainda mais, falo das estrelas
e voce nao sabe que elas estão mortas
tudo bem, eu penso
nada bem, eu vivo
teu perfume insistentemente me persegue
tuas lembranças, a história de uma paixão que se desfez
mostrando que é como qualquer outra do mundo
como um filme de mau gosto
em que os apaixonados ficam juntos
e pouco a pouco labutam a própria derrota
a inexistem num espaço de tempo que inexiste igualmente
tudo perde o sentido...lenta e progressivamente
não mais te amo
quero chorar nosso fracasso e endurecer um pouco mais
quem sabe um dia viro uma rocha e só sinto como se deve
naturalmente as aguas marinhas me engoliriam
e os canticos das selvas mundanas me fariam
n a d a
quero ser nada
quero me acabar e me destruir
quero de novo, quero meu vício
cansei da abstinência do lixo
quero me livrar duma vez desses registros mentais
e de uma vez desmoralizar essas comodidades banais
as tardes dominicais...
as mãos dadas nessas imbecis convenções sociais
essa história de heróis não me convém, meu bem!
de lutar, e lutar, e lutar
perdi o tesão
e sem tesão não se vive
ninguém nos quer azuis
esfregam-me no focinho uma série de passados
demoniacas são as memórias
que insistem em não morrer, malditas
malditas sejam essas boas memórias fotografadas,
a casa nova cheia de fontes dágua
o sol que batia na sua varanda enquanto você fumava seu ópio toda manhã
o quarto cheio de penduricalhos e bobagens dadas pela linda família
case-se e me deixe em paz
termine comigo, atropele-me
mas faça-me sentir viva
pelo amor de Jesus Cristo
dê-me tapas, me chacoalhe
e pare de falar baixinho...
morra de amores por mim e deixe nossos sonhos agonizarem de sede,
eles não existem nem aqui nem no passado
menos ainda existirão algum dia
quero menos que os sonhos
quero fazer-me real...e viva
quero casar e ter cinco filhos
ou sofrer uma desilusão que acometa-me ao suicídio
mas quero muito
que pares de falar baixinho comigo...

4 comentários:

  1. Esse talvez tenha sido o seu relato mais sincero. Pelo menos foi o que me pareceu.

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  2. é, foi sincero, mas todos sao, to pensando em excluir isso, me dá ânsia...e nao quero vomitar de novo

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  3. eu sei que todos são bonita. vomitar de novo? quando foi que vomitou? sexta para sábado?

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  4. toda hora eu vomito...se nao, todo dia

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<_/´\_/`\__>~ tss