quinta-feira, 31 de março de 2011

Sede

queria eu encontrar uma sutileza arrebatadora no toque
no toque dos olhos quando me vissem pintada
queria eu descobrir um pecado voraz no traço
no traço que traço conforme te azul inteira
queria eu desnudar o mormaço que fantasia a distância entre minha boca e sua orelha
(na verdade, queria eu te arrancar pedaços e desvendar-te inteira)
queria eu, acima de tudo, costurar todas as pálpebras dos olhos nossos
pra aveludar com graça sua pele em meu nariz
e me afogar de alma nesse amor infeliz
incompleto, desgracento, eufórico, honestamente recíproco e profundamente bonito
tua cara me repele e teu umbigo me chama

o etéreo triunfou sobre o eterno...de novo, em mim

meu interesse não é a pose nem a moldura do ato
quero que o enquadramento se moa enquanto eu me afogo no teu ventre
e me molho assim
indiscriminadamente

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